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  • Com o HIFU, índices de incontinência urinária e disfunção erétil são menores que de outras técnicas

    Com o HIFU, índices de incontinência urinária e disfunção erétil são menores que de outras técnicas
    Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), neste ano de 2018 no Brasil deve haver 68.220 novos casos, o que corresponde a um risco estimado de 66,12 casos novos a cada 100 mil habitantes. As estimativas sugerem ainda que haverá cerca de 14 mil mortes no Brasil durante o ano em razão da doença. Importante dizer que o risco da doença aumenta com a idade. No Brasil, a cada dez homens diagnosticados com câncer de próstata, nove têm mais de 55 anos.

    Claro que prevenir e consultar um urologista após 45 anos de idade é fundamental para que se faça um diagnóstico precoce. Mas quais são as opções de tratamento oferecidas atualmente pela medicina? Quais são os efeitos indesejados de cada uma delas e os índices de sucesso? Para responder a essas dúvidas, conversamos com o uro-oncologista Marcelo Bendhack, presidente da Associação Latino-Americana de Uro-Oncologia (Urola).


    Quais são as principais formas de tratamento para combater o câncer de próstata?

    Marcelo Bendhack: Há basicamente três caminhos: cirurgia, radioterapia e, mais recentemente, uma nova técnica chamada HIFU (sigla em inglês para Ultrassom Focalizado de Alta Intensidade). Caberá a cada profissional escolher a melhor, a depender de cada caso, da provável evolução da doença e do paciente.


    Cirurgia e radioterapia são técnicas mais conhecidas e populares. O que é exatamente o HIFU?

    Bendhack: Essa técnica, disponível no Brasil desde 2011, se dá por meio da aplicação de energia ultrassônica em um ponto específico da próstata. Os feixes de ultrassom geram calor e energia mecânica que se concentram em uma região da glândula ocupada por células cancerosas. Quando a energia doHIFU atinge um local determinado dentro do corpo, a temperatura é elevada para cerca de 90ºC em questão de segundos, o que resulta na destruição mais precisa do tecido cancerígeno, preservando as demais estruturas ao redor.


    Diferentemente da cirurgia, é uma técnica considerada pouco invasiva?

    Bendhack: Sim. Nesta forma de tratamento não há a introdução de instrumentos, agulhas ou sementes radioativas. Também não há necessidade de transfusão sanguínea, reduzindo eventuais complicações cardiovasculares.


    Onde ela é realizada e quanto tempo dura sua aplicação?

    Bendhack: A técnica é realizada em hospital, onde o paciente deve ficar de 24 h a 48 h. O procedimento leva, em média, 2 horas, podendo se estender até a 4 horas em alguns casos.


    Em termos de efeitos indesejados, como podemos comparar o HIFU e as outras técnicas, como cirurgia e radioterapia?

    Bendhack: Há dois efeitos colaterais importantes quando se fala de tratamento do câncer de próstata: incontinência urinária (perda de urina sem querer) e disfunção erétil. Como oHIFU é menos invasivo, esses efeitos colaterais também são menores. Quando o câncer está localizado apenas na próstata, os índices são os seguintes: em casos de cirurgia, cerca de 10% a 15% dos pacientes passam a ter incontinência urinária após o tratamento. Na radioterapia, esses índices caem para algo em torno de 7% a 8%. No HIFU, a incontinência urinária após o tratamento afeta algo entre 0% e 2% dos pacientes. Quando se faz aplicação de HIFU em apenas uma parte da próstata, o que é cada vez mais indicado, esse índice é próximo de 0%.


    E em relação à disfunção erétil?

    Bendhack: A diferença entre os índices também é grande.Nos casos de cirurgia, cerca de 50% a 80% dos pacientes terão problemas de ereção. Com a radioterapia, aproximadamente 40% a 60% dos homens serão afetados. Quando se usa o HIFU, se tratarmos apenas uma área da próstata, algo em torno de 7% dos pacientes terão disfunção erétil. Se a aplicação com o HIFU for feita em toda a próstata, o que chamamos de tratamento de glândula completa, esse índice será de cerca de 25%.


    Quais são os índices de sobrevida?

    Bendhack: Os resultados também são muito positivos. No HIFU, após dez anos, o índice de sobrevida relacionado à doença é de 97%. Em casos de metástase, quando o câncer migra da região original (próstata) e atinge outras partes do organismo, 94% dos homens submetidos a este tratamento estarão livres de doença como metástase após dez anos do tratamento.


    Quanto aos resultados de sobrevida, comparando-se as três técnicas?

    Bendhack: Estudos divulgados recentemente (2018), após análise feita em seis hospitais do Reino Unido, envolvendo 625 pacientes em que o câncer estava somente na próstata mostraram, de forma bem consistente, que os resultados de pacientes oncológicos tratados por meio de cirurgia, radioterapia e por Hifu são muito semelhantes. Os autores, liderados por Mark Emberton e colaboradores, concluem que este método produz resultados oncológicos semelhantes aos da cirurgia e radioterapia.

    Com relação ao Hifu, a diferença, como mostrada acima, se dá em relação aos índices de efeitos colaterais. Importante dizer que o HIFU tem aprovação para tratamento em 50 países do mundo e, no Brasil, está aprovado desde 2011 pela Anvisa, o que faz da técnica uma excelente opção aos pacientes, inclusive para os casos de recidiva da doença.


    Qual é a melhor opção de tratamento quando há recidiva?

    Bendhack: O paciente deve procurar seu médico e conversar sobre as possibilidades de tratamentos quando a doença retorna. O que se tem observado é que o HIFU apresenta excelentes resultados. Estudo apresentado em janeiro de 2017, após avaliar 418 pacientes, apontou que há 80% de chance de bom resultado com a aplicação do HIFU. Em sete anos de acompanhamento, 80% dos pacientes não apresentaram metástase quando a técnica HIFU foi aplicada após a radioterapia.Apopulação masculina com maiores chances de recidiva está em idade avançada. Então, com expectativa de vida mais curta, a técnica passa a ser a opção mais equilibrada, pois evita que o paciente continue apenas com o tratamento medicamentoso e, muitas vezes, sem perspectiva de cura. Importante recomendação dos autores é de que esta modalidade de HIFU, para doença que retorna na próstata, seja indicada e realizada precocemente, logo que se descobre a recidiva da doença.