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  • Ultrassom Localizado de Alta Intensidade é indicado como procedimento após recidiva do câncer

    Ultrassom Localizado de Alta Intensidade é indicado como procedimento após recidiva do câncer
    Células responsáveis pelo câncer de próstata

    Além do óbito (25% dos pacientes com câncer de próstata), 20% dos homens, mesmo em estágio avançado, não recebem diagnóstico, e um número considerável de pacientes, mesmo após tratamento, voltam a desenvolver a doença. 

    Recentemente, durante a Conferência Anual da Federação Mundial de Uro-Oncologia (WUOF/Outubro-2018), realizada em Seul (Coréia), urologistas e uro-oncologistasde todo mundo debateram sobre as opções de tratamento para o câncer de próstata. Uma preocupação justificável, dada a perspectiva da alta incidência da doença nos próximos anos.

    Segundo o Global CancerObservatory (GCO), plataforma que apresenta estatísticas globais do câncer vinculado à Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer, órgão da Organização Mundial da Saúde (OMS), o número estimado de casos de câncer de próstata, para todas as idades, em 2040, é de 2.293.818, ante 1.276.106, para 2018. Na faixa etária até 69 anos, a expectativa é de 963.398 casos (650.367 em 2018), enquanto que a incidência na faixa acima dos 70 anos é de 1.330.420, mais de 100% em relação a 2018 (625.739 casos).

    “As campanhas de prevenção são extremamente importantes, como é o caso do Novembro Azul, que serve de alerta para jovens, mulheres e, claro, principalmente para os homens. Mas é preciso ampliar as pesquisas, assim como compreender a necessidade em estender à população todos os tratamentos que estão à disposição”, diz o uro-oncologia Marcelo Bendhack, Presidente da Associação Latino-Americana de Uro-Oncologia (UROLA).

    O especialista, único conferencista brasileiro na WUOF, em Seul, acompanhou as discussões sobre um recenteestudo (Salvage high-intensityfocusedultrasound (HIFU) for locallyrecurrentprostatecancerafterfailedradiationtherapy: Multi-institutionalanalysisof 418patients)¹, onde o HIFU (High IntensityFocusedUltrassound) foi apontado como a técnica que deve ser a primeira indicação para o tratamento do câncer de próstata, quando ocorre a recidivaapós a radioterapia.

    O estudo retrospectivo acompanhou 418 pacientes, em um período mínimo de 5 anos e máximo de 14 anos. Apontou 80% de chance de sucesso com a aplicação do HIFU, sem taxa de progressão da metástase devidoa eliminação do tumor - quando aplicado após a falha da radioterapia.

    “Outros estudos já haviam demonstrado a eficácia do tratamento com o HIFU, mas dessa veza técnica foi indicada amplamente como a opção de tratamento para pacientes com expectativa de vida mais curta, sem depender apenas do tratamento medicamentoso. Hoje, é a opção mais equilibrada para o paciente”, explica Bendhack.


    Sobre o HIFU (Ultrassom Focalizado de Alta Intensidade)

    Terapia focal para o câncer primário e localizado, em fase inicial, aprovada pelo FDA (FoodandDrugAdministration/EUA), em 2015, e pela ANVISA (Brasil), em 2008. No Brasil, o procedimento é realizado desde 2011, antes da lei de regulamentação sobre tratamentos experimentais (lei 12.482/2013). Está disponível na rede particular, mas ainda aguarda a confirmação do Conselho Federal de Medicina (CFM) como procedimento não experimental, visando inclusão no Rol da ANS.

    O HIFU aplica energia acústica (ultrassônica) num ponto específico da próstata. Seus feixes de ultrassom geram calor e se concentram numa região ocupada apenas por células doentes. Quando a energia do HIFU atinge o local determinado dentro do corpo, a temperatura é elevada para cerca de 90 a 98ºC em questão de segundos, o que resulta na destruição apenas do tecido cancerígeno.

    A técnica é minimamente invasiva (sem introdução de instrumentos, agulhas ou sementes radioativas), com duração de 3 horas, em média (1,5 a 4 horas), enão necessita de transfusão sanguínea, reduzindo as complicações cardiovasculares. O tempo de internação é de 12 a 24 horas.

    O HIFU tem indicação para o câncer de próstata localizado de baixo, médio e alto risco². Entre os métodos disponíveis, é o que apresenta os menores índices de efeitos colaterais, de 0 a 2% para incontinência urinária e de 5 a 26% para disfunção erétil, baixa taxa de mortalidade e alto índice de sobrevida livre de metástases aos 10 anos, com taxas aceitáveis de morbidade.